Começamos o ano de 2011 com uma situação inédita na História do Brasil, uma mulher assume o posto mais alto da política brasileira: a presidência da República. Já estamos no século XXI, onde muitas mudanças aconteceram e transformaram a sociedade. E hoje após tantas lutas de nós mulheres para ocupar nosso espaço – que sempre foi nosso e não foi dado por ninguém, diga-se de passagem – vemos a Dilma Roussef ainda sofrer preconceitos tolos simplesmente por ser mulher. A sociedade patriarcal não perdoa, então vamos por partes:
1. Dilma é divorciada, e por isso a rotulam de lésbica. Percebe-se aqui não só o preconceito com as mulheres, mas também com os homossexuais. Ser solteira é uma opção legítima que todas nós temos, não precisamos de um homem para dar significado às nossas vidas. O homem deve ser um companheiro em iguais condições, e não um curinga que legitima nossa existência. E não somos obrigadas a ter esse companheiro, isso é uma opção a que temos direito, pois somos donas das nossas próprias vidas. Dilma é solteira e se valoriza por si mesma. E se ela fosse lésbica? O que tem isso? Qual o problema? Essa também é uma opção, uma opção sexual, não um defeito. Devemos valorizar as pessoas pelo que elas são e não pelo sexo ou opção sexual que possuem.
2. Dilma é feia. Essa é a acusação mais tola; o que beleza influencia para ser presidente da república? Ah... Mas por que é mulher tem quer ser bonita. É a famosa ditadura da beleza que nos aprisiona em vidas vazias. Temos que ser o que quisermos ser, o que nos faz bem. A beleza física é superficial, a verdadeira beleza só é vista por quem tem uma visão mais ampla do mundo ao seu redor.
3. Dilma é machona. Dizem que ela é masculina só por que é forte, demonstra segurança em suas decisões, não se intimida no meio de tantos homens. Esse rótulo de machona surge porque somos criadas para sermos mocinhas frágeis, delicadas, e indefesas, incapazes de abrir um pote de azeitona, o que dirá governar nossa própria vida, e menos ainda um país. Essa nossa fragilidade construída socialmente, essa obrigação de submissão já custou a vida de muitas mulheres. Mulheres que não puderam escolher sair de um relacionamento ou não fizeram o jantar na hora certa. A violência doméstica tem números alarmantes, pois frágeis que supostamente somos não temos como nos defender. Ser durona não é defeito meninas e meninos, devemos ter nossas decisões firmes, devemos ser fortes. A delicadeza feminina as vezes nos custa muito caro.
Enfim, devemos desconstruir esses preconceitos tolos, devemos torcer pelo país, buscar formas de melhorar o que estiver ruim. A tarefa da presidenta é governar a República Federativa do Brasil. Não é ser casada, bonita, feminina... Isso tudo não importa. E nós temos o dever de fazermos a nossa parte como cidadãos conscientes, e não de ficar especulando a vida pessoal e íntima dela não é da nossa conta. Temos coisas mais importantes para nos preocuparmos, olhe a sua volta.
Railde Fernandes