quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2: reflexões

O filme Tropa de Elite foi um sucesso quando foi lançado em 2007,foi uma febre nacional.Além de ter sido um filme muito bom em termos técnicos, ainda tinha um roteiro que demonstrava fielmente a realidade da polícia e do tráfico no Rio de Janeiro.Agora, dois anos depois, o Tropa de Elite 2 vem com um roteiro ainda mais elaborado,mostrando a realidade das milícias e da política brasileira.O ator Wagner Moura é sem dúvida um dos melhores atores brasileiros,o Capitão Nascimento ficou eternizado em sua interpretação.Mas o mais impressionante de tudo é a sensação que temos com os dois filmes.Torcemos muito pela liquidação dos bandidos pelo BOPE no primeiro filme e no segundo vibramos quando o agora Coronel Nascimento enche o Secretário de Segurança corrupto e criminoso de porrada. Seria isso uma crueldade por nossa parte?Acredito que não.Em um país onde não podemos andar nas ruas por causa desses infelizes que estão sempre prontos a nos assaltar,a assassinar sem um pingo de piedade.Onde traficantes tem mais poder que a polícia,mandam matar seus inimigos como se mandassem comprar pão na padaria.Onde as trocas de tiros fazem muitas vítimas todos os anos e por incrível que pareça as balas perdidas são treinadas e só encontram bandidos,todos que morrem a mídia logo noticia que era bandido.Os políticos que são eleitos para cuidar dos interesses da população cuidam apenas dos seus próprios interesses,e para isso fazem aliança com Deus e com o Diabo(mais com o Diabo do que com Deus).Os filmes Tropa de Elite 1 e 2,nos dão a sensação de vingança contra esse sistema falho e cruel.A cada porrada e tiro do Coronel Nascimento sentimos como se fizéssemos aquilo com as nossas próprias mãos.Mas apesar disso como o filme deixa bem claro,o problema do nosso país é maior do que podemos imaginar e não começa no tráfico,começa com aqueles que elegemos democraticamente e que permitem que o tráfico exista.A moeda mais valiosa no Brasil é mesmo o voto,e é isso que deve ser dito e mostrado ao cidadão.Um voto errado nos coloca nas mãos das milícias,do tráfico,dos assaltantes,e dos bandidos de terno e gravata.Esperaremos ansiosos o dia em que os brasileiros deixarão de votar em um palhaço como Tiririca como forma de protesto e não que dêem a ele 130.00 votos como forma de protesto.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Propaganda e Poder: de Hitler a atualidade

A propaganda comercial ou ideológica está muito presente em nossa sociedade.Através dela adquirimos uma forma de estar e de se comportar no mundo. Diante disso este minicurso teve como objetivo discutir e relacionar as propagandas atuais com as propagandas nazistas. O ministro da propaganda de Hitler, Goebells, utilizou desta ferramenta para mostrar a Alemanha a necessidades de se exterminar não somente os Judeus,mas também todos aqueles indivíduos vistos como um risco para a preservação da raça Ariana pura. Atualmente as propagandas já são um elemento comum em nosso cotidiano, elas nos convencem não de manter uma raça pura, mas da necessidade que temos de alguns produtos e serviços por exemplo, sem que ela exista.Mas antes disso ela nos passa a imagem de como devemos nos portar no mundo. Vemos então propagandas que mostram a mulher ideal, o que comprar para ser inserido numa determinada classe social, entre outros. Discutimos esses e outros assuntos com os alunos que participavam do 7º Biotemas na Educação Básica. Foi um trabalho muito satisfatório visto que os alunos demonstraram opiniões muito maduras da realidade em que vivem.A propaganda eleitoral foi uma constante nas discussões, fato inevitavel já que estávamos a três dias das eleições. Em suma o minicurso apesar das limitações foi excelente. Nós agradecemos a colaboração dos alunos e desejamos muito sucesso a todos. Se quiserem mais informações entrem em contato.Abraços a todos...
Railde Fernandes
Fabiano Cordeiro César


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Esperança X Acomodação: um desabafo e uma resposta

Utilizo o Twitter aquele famoso mini blog da internet como uma forma de expor aqueles pensamentos, idéias e críticas que me incomodam durante todo o dia. Infelizmente sou o tipo de pessoa que se incomoda com as coisas que acontecem ao meu redor. As injustiças cometidas com quem não têm como se defender, as idiotices ditas agora no período eleitoral que devia servir para observarmos e prestarmos atenção em quem estamos colocando lá em cima, para cuidar dos nossos interesses. No Twitter escolhemos seguir algumas pessoas e assim tudo o que elas escrevem vão direto para nossa página inicial. Postei muitos comentários sobre a bizarrice da campanha eleitoral, coisas ditas como se fossemos idiotas sem condições de avaliar a veracidade do que é dito. Surpreendi-me com o comentário de um de meus seguidores, que se perguntava quando é que iam para de postar comentários sobre esse “políticos ladrões” em sua página do Twitter. Ora, eu não posto nada para ninguém, quem me segue faz isso por espontânea vontade. Se meus comentários incomodam é só deixar de seguir, simples não? Minha seguidora ainda dizia que não fazia questão de votar nessas eleições, como mora em outra cidade não iria à sua cidade natal somente para votar. Muito bem, todos nós temos o direito de fazer o que quiser das nossas vidas, temos o poder de escolher nosso próprio caminho, e eu respeito isso. Mas a questão é outra, realmente a política que se faz hoje no Brasil mais nos envergonha do que orgulha, são sempre os mesmos candidatos, com os mesmos discursos, e nada muda efetivamente. Mas por outro lado, somos nós eleitores quem os colocamos lá, quantas vezes eles se candidatam. Os políticos são ladrões? Talvez sejam. Mas quem os escolhe é o povo. E se cada vez mais nós eleitores, fecharmos os olhos achando que eles são ladrões mesmo e não tem como mudar, realmente assistiremos por muito tempo a sacanagem que se tornou nossa política. Temos mesmo é o dever de falar pra quem quer e quem não quer ouvir, de mostrar o que está errado, de abrir os olhos daqueles que não conseguem como nós enxergar as barbaridades que acontecem todos os dias. Alimentar a esperança de um futuro melhor não faz mal a ninguém, pelo contrário, possibilita talvez uma mudança mais rápida. Posso ser utópica, mas é somente a esperança que me mantêm, quando esta faltar em minha vida, com certeza serei mais uma pessoa acomodada no aconchego de minha ignorância.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O que perdemos em um assalto...

A violência urbana é um dos assuntos mais falados da atualidade. Esse fato se deve não só por que acontecem milhões de casos todos os dias, mas porque comove as pessoas que passaram ou não (ainda) por um acontecimento violento. O que faço aqui hoje é um desabafo que está entalado há um ano e três meses, desde que fui assaltada tendo duas armas apontadas para minha cabeça. Há dois alguns dias minha casa foi assaltada, não consigo pensar em outra coisa, tentei me distrair mas não deu certo...preciso escrever.
Temos a tedência de nos apegarmos a coisas materiais, em muitos casos é justificável ´pois trabalhamos com esforço para adquiri-las. A perda de um objeto conseguido com trabalho árduo é financeiramente desagradável. A questão que coloco aqui vai um pouco além. A perda pois mais ínfima que seja deixa marcas irreparáveis. Independente do que tenha sido tirado de nós - desde roupas usadas penduradas no varal até um carro importado - o sentimento de impotência diante do acontecimento é inexplicável.
Quando fui assaltada pela primeira vez perdi um aparelho celular que me custou muito caro, nove meses depois já tinha comprado outro um pouco mais barato mas com mesma utilidade. No entanto perdi a coragem de fazer muitas coisas, me tornei uma pessoa insegura, medrosa, estressada. Hoje 15 meses depois ainda não recuperei a coragem, o trauma permanece e me angustia. Desta vez minhas roupas penduradas no varal foram levadas, porém o pior de tudo foi ver no rosto do meu pai a decepção por ter sua bicicleta roubada.É isso mesmo caro leitor, uma bicicleta...não era uma simples bicicleta, era o que permitia a ele trazer para casa os alimentos e o dinheiro para pagar as contas, sua ferramenta de trabalho. Tenho certeza que podemos comprar outra, mas a perda foi muito maior. Perdemos a tranquilidade para dormir após um dia exausto, e isso não tem preço.
Quando somos assaltados perdemos coisas materiais que substituímos assim que possível. Mas perdemos sentimentos como confiança, segurança e tranquilidade. Ganhamos medo, angústia, desespero e traumas horríveis...uma dor inexplicável...um sentimento de impotência que o tempo não apaga. Só me pergunto até onde chegaremos com todos esses sentimentos. Fico aguardando, sonhando com um dia em que tudo será diferente...não sei se estou sendo ingênua, mas preciso disso pra viver nessa barbárie.

O rit do Rebolaixon


Em todas os dias comemorativos com festas e feriados prolongados os meios de comunicação exibem reportagens sobre diversos assuntos relacionados à festa que está acontecendo .Neste Carnaval não foi diferente, um tema chamou a atenção e foi falado em vários canais de televisão: os rits do Carnaval da Bahia que segundo as matérias se disseminam por todo país.
A música da vez tem sido exaustivamente tocada em todos os cantos, do grupo baiano Parangolé (lindo nome!) a música Rebolaixon é o rit do momento. A cultura de massa é um fator de importância na sociedade contemporânea, produz um número elevado de itens como músicas, filmes, entre outros. Mas também dissemina valores que instituem comportamentos para os indivíduos. A música de massa é fenômeno inacreditável, uma vez que surgem estilos diferentes , com letras sem sentido, arranjos musicais com pouca ou nenhuma qualidade - é o caso da banda Djavù-, mas mesmo assim vira um febre. Porém neste Carnaval a música de massa principalmente a música baiana chega ao extremo, a música do rebolaixon praticamente só possui uma palavra que é repetida várias vezes.
Uma música que possui somente uma palavra conseguir se tornar uma das mais tocadas -ou a mais tocada- do momento é uma coisa sem explicação. Dizem que a festa, principalmente o Carnaval é um momento para se divertir e o que importa é o ritmo e não a letra. Ora, se é só o ritmo que importa poderiam poupar nossos ouvidos e excluírem uma letra tão vazia e irritante.
Na década de 1940 o filósofo alemão Theodor Adorno integrante da Escola de Frankfurt fez severas críticas à cultura de massa, a capacidade crítica é para ele um elemento importante no indivíduo, e a cultura de massa com seus produtos descarta racionalidade do consumidor. O rit do rebolaixon é um exemplo disso, pois a letra não diz nada, ou melhor diz, diz para o povo rebolar, rebolar , rebolar...uma alienação pura e simples. O argumento da valorização do ritmo em detrimento do conteúdo não é justificável, para se divertir não é preciso eliminar o bom senso.
A música de massa se superou dessa vez, e seus ouvintes nem se fala. O próximo passo deve ser uma música com uma sílaba , ou uma letra, se é que já não tem. A consequência disso tudo são indivíduos com mentes pequenas, rebolando, rebolando...rebolaixon xon xon. Alimentando uma indústria musical sem qualidade e sem significado. O reboleixon é um ode a ignorância, uma apologia à exposição do corpo, representa o declínio do bom gosto musical do brasileiro, com exceções é claro.