Há exatos dezesseis anos minha mãe me levou para fazer minha carteirinha no Centro Cultural Hermes de Paula, em Montes Claros.Aquele pequeno papel que constava minha fotinha de criança abriu um mundo novo em minha frente: o mundo da leitura.Toda sexta-feira era dia de passar no Centro Cultural para devolver e pegar mais livros. Este ritual foi feito por quase dez anos,minha mãe nos iniciou nas visitas ao Centro cultural pois sabia da importância da leitura na vida de uma criança.Desde então adquiri o gosto pela literatura e cheguei a ler quase todos os livros da sessão infanto juvenil. Hoje com vinte e três anos, graduada e cursando Mestrado em História Social na Universidade Estadual de Montes Claros, sei a importância que o Centro Cultural Hermes de Paula possui em minha formação.
No período de férias como este mês de julho vou ao Centro Cultural para estudar,pois a ambiente de um biblioteca me inspira em minhas leituras. Sinto uma nostalgia daqueles tempos de infância e adolescência. Lá estão os mesmo móveis,e até os mesmo funcionários. A sensação de estar naquele lugar tão importante em minha vida seria melhor se hoje eu não notasse o abandono daquele mundo mágico de livros. As carteirinhas que são o passaporte para a viagem numa boa literatura, ainda são confeccionadas em máquinas de escrever, os fichários com as referências dos livros ainda são os mesmos. Muitos livros estão em péssimo estado de conservação, apesar do esforço dos funcionários para restaurá-los. É bem verdade que hoje lá se encontra um Centro de Inclusão Digital, mas as melhorias param por aí. Se pararmos para pensar, quantos profissionais que atuam hoje em Montes Claros estudaram ali naquelas mesas de madeira?
O Centro Cultural Hermes de Paula é sem dúvida alguma, uma das instituições mais importantes de nossa cidade, e deveria ser tratado como tal. Não adianta aqui delegar a responsabilidade somente para a atual gestão, o descaso com o Centro Cultural é uma herança passada de gestão em gestão. Uma "Cidade da arte e da cultura", deveria preservar um reduto da arte,educação e cultura por excelência.
Entrar naquele prédio e ver tudo praticamente igual há dezesseis anos atrás quando entrei pela primeira vez trás boas lembranças. No entanto, é preciso olhar para as próximas gerações, que precisam de um estímulo para seguir bons caminhos, geração essa que hoje ao invés de estar dentro do Centro Cultural desfrutando de bons livros, estão, muitos, logo em frente, consumindo drogas à luz do dia na Praça da Matriz. Investir em uma instituição tão importante pode dar a oportunidade de outros jovens serem inspirados e formados como eu futura Mestre em História fui um dia.