sábado, 20 de fevereiro de 2010

O que perdemos em um assalto...

A violência urbana é um dos assuntos mais falados da atualidade. Esse fato se deve não só por que acontecem milhões de casos todos os dias, mas porque comove as pessoas que passaram ou não (ainda) por um acontecimento violento. O que faço aqui hoje é um desabafo que está entalado há um ano e três meses, desde que fui assaltada tendo duas armas apontadas para minha cabeça. Há dois alguns dias minha casa foi assaltada, não consigo pensar em outra coisa, tentei me distrair mas não deu certo...preciso escrever.
Temos a tedência de nos apegarmos a coisas materiais, em muitos casos é justificável ´pois trabalhamos com esforço para adquiri-las. A perda de um objeto conseguido com trabalho árduo é financeiramente desagradável. A questão que coloco aqui vai um pouco além. A perda pois mais ínfima que seja deixa marcas irreparáveis. Independente do que tenha sido tirado de nós - desde roupas usadas penduradas no varal até um carro importado - o sentimento de impotência diante do acontecimento é inexplicável.
Quando fui assaltada pela primeira vez perdi um aparelho celular que me custou muito caro, nove meses depois já tinha comprado outro um pouco mais barato mas com mesma utilidade. No entanto perdi a coragem de fazer muitas coisas, me tornei uma pessoa insegura, medrosa, estressada. Hoje 15 meses depois ainda não recuperei a coragem, o trauma permanece e me angustia. Desta vez minhas roupas penduradas no varal foram levadas, porém o pior de tudo foi ver no rosto do meu pai a decepção por ter sua bicicleta roubada.É isso mesmo caro leitor, uma bicicleta...não era uma simples bicicleta, era o que permitia a ele trazer para casa os alimentos e o dinheiro para pagar as contas, sua ferramenta de trabalho. Tenho certeza que podemos comprar outra, mas a perda foi muito maior. Perdemos a tranquilidade para dormir após um dia exausto, e isso não tem preço.
Quando somos assaltados perdemos coisas materiais que substituímos assim que possível. Mas perdemos sentimentos como confiança, segurança e tranquilidade. Ganhamos medo, angústia, desespero e traumas horríveis...uma dor inexplicável...um sentimento de impotência que o tempo não apaga. Só me pergunto até onde chegaremos com todos esses sentimentos. Fico aguardando, sonhando com um dia em que tudo será diferente...não sei se estou sendo ingênua, mas preciso disso pra viver nessa barbárie.

O rit do Rebolaixon


Em todas os dias comemorativos com festas e feriados prolongados os meios de comunicação exibem reportagens sobre diversos assuntos relacionados à festa que está acontecendo .Neste Carnaval não foi diferente, um tema chamou a atenção e foi falado em vários canais de televisão: os rits do Carnaval da Bahia que segundo as matérias se disseminam por todo país.
A música da vez tem sido exaustivamente tocada em todos os cantos, do grupo baiano Parangolé (lindo nome!) a música Rebolaixon é o rit do momento. A cultura de massa é um fator de importância na sociedade contemporânea, produz um número elevado de itens como músicas, filmes, entre outros. Mas também dissemina valores que instituem comportamentos para os indivíduos. A música de massa é fenômeno inacreditável, uma vez que surgem estilos diferentes , com letras sem sentido, arranjos musicais com pouca ou nenhuma qualidade - é o caso da banda Djavù-, mas mesmo assim vira um febre. Porém neste Carnaval a música de massa principalmente a música baiana chega ao extremo, a música do rebolaixon praticamente só possui uma palavra que é repetida várias vezes.
Uma música que possui somente uma palavra conseguir se tornar uma das mais tocadas -ou a mais tocada- do momento é uma coisa sem explicação. Dizem que a festa, principalmente o Carnaval é um momento para se divertir e o que importa é o ritmo e não a letra. Ora, se é só o ritmo que importa poderiam poupar nossos ouvidos e excluírem uma letra tão vazia e irritante.
Na década de 1940 o filósofo alemão Theodor Adorno integrante da Escola de Frankfurt fez severas críticas à cultura de massa, a capacidade crítica é para ele um elemento importante no indivíduo, e a cultura de massa com seus produtos descarta racionalidade do consumidor. O rit do rebolaixon é um exemplo disso, pois a letra não diz nada, ou melhor diz, diz para o povo rebolar, rebolar , rebolar...uma alienação pura e simples. O argumento da valorização do ritmo em detrimento do conteúdo não é justificável, para se divertir não é preciso eliminar o bom senso.
A música de massa se superou dessa vez, e seus ouvintes nem se fala. O próximo passo deve ser uma música com uma sílaba , ou uma letra, se é que já não tem. A consequência disso tudo são indivíduos com mentes pequenas, rebolando, rebolando...rebolaixon xon xon. Alimentando uma indústria musical sem qualidade e sem significado. O reboleixon é um ode a ignorância, uma apologia à exposição do corpo, representa o declínio do bom gosto musical do brasileiro, com exceções é claro.