Este ano completa-se cinco anos que estou na Universidade, entrei na graduação em 2006 e em 2011 ingressei no mestrado. Cinco anos acredito eu ser um tempo suficiente para algumas reflexões sobre esse mundo chamado Academia. Vamos começar então pela fase inicial, onde somos chamados de calouros. Nesta fase estamos imersos em certo deslumbre que tem a ver com o imaginário que cerca a academia em geral. Entramos em um mundo completamente novo, ficamos impressionados com os Ms’s e Dr’s que vem à frente do nome dos professores. São tantos nomes e lugares diferentes, departamento disto ou daquilo, ementa, plano de ensino. O curso se tornou minicurso, resumo que já parecia ser simples agora é resumo simples e expandido. Temos ainda o texto completo sem nem mesmo haver o seu oposto o incompleto. Mas enfim, com a capacidade impressionante do ser humano se adaptar às mudanças e novidades, acabamos nos acostumando e estas expressões se tornam auto-explicativas. Passada a fase de calouros, a realidade cai pesada à nossa frente, são tantos textos para ler, são tantos teóricos e pensadores. Informações que absorvemos e que sutilmente desconstroem aquela visão de mundo confortável que tínhamos. Temos que nos dividir entre muitas disciplinas, monografia, estágio, tudo ao mesmo tempo. Sempre achamos que não vamos dar conta de tudo isso. Agora, já familiarizados com a dinâmica da Universidade ela não parece ser tão mágica como nos tempos de calouros. Somos assombrados pelas lendas que cercam a academia, estamos sempre à espera do próximo período que nos dizem que é o mais difícil, o próximo período sempre será mais difícil. E o que dizer dos professores que viram lendas vivas?Histórias sobre eles se espalham no meio dos acadêmicos, muitas vezes através de sussurros nervosos e do tal “disse me disse”. Mas assusta, e como assusta! Durante todo o processo de graduação abrimos mão de coisas boas de nossas vidas esperando valer a pena no futuro. Sábado, domingo, feriado?O que é isso?Dia de aproveitar para adiantar os trabalhos, pois os dias letivos carregam uma maldição, nunca conseguimos aproveitá-los por completo. Desejamos ansiosamente pelo fim. E ele vem (pra alguns é claro, outros se tornam eternos acadêmicos), lá pelos últimos períodos aquelas inseguranças de calouro já parecem muito bobas. Como não saber a diferença entre resumo e resenha? Quanta bobagem!Começamos a achar que nunca fomos calouros, e calouro passa a ser um “bicho” estranho e por vezes engraçado. Podemos admitir até certa intolerância com eles, advinda da dificuldade e reconhecermos que um dia fomos assim. O último dia do estágio, a defesa da monografia, tira das nossas costas um peso de 200 quilos. E a ansiedade pra saber se o nome consta da lista da colação de grau? Mesmo sabendo que deu tudo certo ela insiste em nos acompanhar. A colação de grau é um momento surreal, vestimos uma roupa desconfortável, e engraçada, até mesmo feia, para encenar o teatro que faz a passagem daquele aluno inseguro para um profissional. De graduando para graduado, agora temos um título! A emoção de receber um canudo vazio (isso mesmo vazio) é indescritível. E aí vem a nostalgia, começamos a achar que nem foi tão difícil assim, a achar graça de nós mesmos, e a sentir saudade desse período de formação. Saudade até mesmo das discussões mais acirradas. E percebemos que na realidade não foi o fim, mas apenas o começo...
Nossa! muito bom o post!
ResponderExcluirvc escreve muito bem.. quase chorei, rs...
espero sentir esta mesma sensação no final! =D
Faltando ainda um ano e sete meses diante de tanta coisa pra dar conta esse tempo parece tão pouco e olha que quando entramos quatro anos mais parece uma eternidade!!!
ResponderExcluireu ainda sou preguiçosa, mas a vida acadêmica é desse jeito mesmo. Publique mais, Rá.
ResponderExcluirParabéns, sua visão é super interessante. O que mais me chamou a atenção é quando você disse que o conhecimento descontroi a visão de mundo confortável que tínhamos. É isso mesmo, acho que a verdade efetiva das coisas gera imensos conflitos em nosso ser; (..)se é que chegamos a verdade efetiva...
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