terça-feira, 9 de agosto de 2011

Tema da prova: História social e suas abordagens metodológicas

          José Carlos Reis apresenta uma análise da produção do conhecimento histórico desde o mundo antigo até a pós- modernidade. Nesse intuito, passa pela busca do sentido histórico, da história vista como ciência,ou seja, a cientifização da história do conhecimento histórico em busca do estado positivo da sociedade e vai até a pós-modernidade com a fragmentação da história. Marc Bloch foi um historiador importante neste processo, pois ele inaugura a visão da história como problema, o objetivo da história seriam os homens no tempo e o ofício do historiador estudar o passado buscando entender o presente e vice-versa. Marc Bloch fala sobre a multiplicidade de temas e técnicas e fontes a serem estudadas, as novas abordagens em história. Para José Carlos Reis a terceira geração dos Annales - revista de história fundada por Bloch - radicalizou  a proposta inicial dos fundadores, buscou a história de tudo, ou seja,  todas as relações humanas são possíveis de serem estudadas na história.
A História Social teve seu grande impulso segundo Eric Hobsbawn após a historicização geral das ciências sociais, com o advento das revoluções nos países coloniais e semicoloniais. Para a análise desses fatos em alguns aspectos foi preciso recorrer a História Social. Segundo Hobsbawm as ciências sociais possuíam um arcabouço de técnicas de análise muito úteis, no entanto, não abarcavam a estrutura e o processo de mudança e transformação social, ou seja, o processo histórico. Para este autor a história se serve de muitas das técnicas de outras ciências sociais, mas a relação com as mesmas teria sido mais para ensinar do que para aprender. Para Hobsbawm a história social deve construir seus métodos e modelos próprios,  não se constituindo em uma simples especialização pois seu tema não pode ser dissociado das outras instâncias da vida humana. Eric Hobsbawm é um historiador marxista e defende o processo de análise histórica a partir da abordagem do materialismo histórico. Segundo ele toda a análise da sociedade deveria partir do seu modo de produção. Karl Marx não produziu  história como a conhecemos,  mas deixou questões históricas, observações que são fundamentais para o historiador. Para Hobsbawn a análise histórica partindo da metodologia do materialismo histórico é a única que permite abarcar o social em todos os seus aspectos, sociais, políticos, econômicos e culturais.
Edward Thompson também um historiador importante para fazermos um apanhado da História Social. Analisou a cultura popular inglesa do século XVIII, simultaneamente criticou e deu novo olhar à historiografia marxista. Thompson criticou a relação simplista entre base e superestrutura. Este autor abordou a sociedade inglesa do século XVIII buscando entender os conflitos de classes gerados na passagem do antigo regime à sociedade industrial. O novo modelo econômico tentava se fixar, mas esbarrava nas reivindicações da plebe. Thompson analisou os conflitos de classes entre as classes dominantes e subalternas, mostrando como uma convivia mutuamente  com a outra, havendo trocas culturais. A hegemonia da classe dominante era limitada pelos interesses da plebe. Esta, diante das inovações trazidas pelo processo industrial brigava pela manutenção dos costumes, o que para Thompson era um lugar de mudanças e disputas. Este historiador analisou a cultura popular como local de lutas de classes. E aí fica evidente a posição de Thompson em relação ao reducionismo econômico do marxismo ortodoxo e das visões estruturalistas e funcionalistas da história. No processo de produção social, a luta de classes não possui somente um caráter econômico envolve a luta pelos costumes, e tradições, está inserida na cultura de uma determinada sociedade em um determinado tempo histórico. Em muitos casos a multidão inglesa saía perdendo, mas não sem antes ter havido um processo de luta, que em muitos casos também ambas as classes sociais envolvidas saiam em desvantagem. A renovação do marxismo vista principalmente em Thompson e Hobsbawn é uma das abordagens metodológicas da História Social, alia o materialismo histórico à uma perspectiva mais humanista e culturalista.
José Carlos Reis apresenta o termo história em migalhas, que diz respeito à história fragmentada, com vistas à alteridade, ao individualismo, às pessoas comuns entre outros aspectos. Carlo Ginsburg abordou em sua obra o Queijo e os Vermes a vida de Menocchio, um moleiro friulano, que foi julgado e condenado pela Inquisição. Temos aí então outra abordagem metodológica da História Social que é a micro história. A partir de Menocchio Ginzburg apresentou a partir do termo circularidade cultural  de Mikail Bakhtin, a forma como a cultura das classes dominantes e a cultura das classes subalternas fazem um intercâmbio entre si. Menoccio foi um moleiro que ao ser acusado de herege demonstrou em seu julgamento ter lido e abstraído idéias que Ginzburg associa a de intelectuais daquele tempo no século XVI. Menocchio leu alguns livros e projetou neles uma antiga cultura camponesa, que segundo Ginzburg ainda estava presente naquele momento histórico. Dessa forma Mnocchio utiliza essas duas visões formando sua própria visão criando sua própria cosmogonia.
A História Social é um terreno vasto de pesquisa histórica abordando a vida do homem em sociedade, a partir de variadas abordagens metodológicas, como o marxismo, a renovação do marxismo, a história vista de baixo verificada em Thompson e a micro história como abordada por Ginzburg. Todas essas abordagens convergem para uma análise da sociedade em suas variadas formas de vida e instâncias

2 comentários: